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Saúde Mental

Artigo publicado por Dr. Sidney Gaspar, publicado em 8 abril de 2015, no jornal A Tribuna

 

Suicídio, morte que pode ser evitada

 

O jornal A Tribuna, de Santos (SP),  trouxe a público um assunto nem sempre abordado, mas muito relevante: o suicídio. Por meio de entrevistas com colegas psiquiatras, dr. Miguel Ximenes, representante da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), e dr. Mário Ilek, a cidade pode ter um conhecimento da preocupação existente nas entidades médicas nacionais com o tema, visto terem lançado um manual para ajudarmos a prevenir este tipo de ocorrência, que no mundo causa mais mortes que os homicídios. A cada dois segundos uma pessoa tenta suicídio e a cada 20 segundos uma pessoa morre no mundo por esta causa, ou seja, enquanto você lê este parágrafo alguém se suicida.

 

O suicídio, palavra que vem do latim, “auto-assassino”, é considerado uma causa de morte evitável, sendo que para tanto é necessário entender quem, onde, como e por que as pessoas se matam. Para isso, estudos epidemiológicos e “autópsias psicológicas” são realizados para que se tenha cada vez mais informações que auxiliem na redução desses índices que vêm crescendo em todo o mundo.

 

Estudo realizado na Vigilância Epidemiológica da Secretaria Municipal de Saúde de Santos, que apresentamos no Congresso Brain and emotions, em Toronto, Canadá, no mês de maio de 2014, mostra dados da mortalidade por suicídio na cidade de Santos, entre 2001 e 2010, e faz parte de um estudo maior sobre mortalidade por causas externas ocorridas na cidade ente 2000 e 2014, que está em fase de conclusão. Esses dados servirão de base para políticas públicas de intervenção e prevenção desses tipos de morte.

 

Em 10 anos, 268 pessoas se mataram em Santos, o que representa 6,5 mortes para cada 100.000 moradores da cidade, números maiores que os apresentados no Brasil e no estado de São Paulo. As ocorrências na cidade apresentaram uma tendência de crescimento ao longo da década.

 

Assim como em todo o mundo, aqui, para cada mulher que se suicida, há cerca de três homens cometendo o mesmo ato. Alguns detalhes, pela característica demográfica da cidade, chamam atenção: o grupo etário que mais se mata em Santos é o de homens de 60 anos ou mais, que apresentam médias de 16,9/100.000 habitantes. Também observou-se que 72,1% dos óbitos ocorrem com moradores dos bairros da orla; quanto ao estado civil, somente 30% dos casos ocorrem com pessoas casadas; 74,6% das ocorrências são com brancos e apenas 19% dos suicidas tinham escolaridade muito baixa.

 

É necessário um debate maior na sociedade, visando construir estratégias que identifiquem as populações de risco, entre elas, a população masculina da terceira idade, que necessita de uma inclusão mais efetiva nos serviços de Saúde e nas atividades sociais. Os portadores de transtornos psiquiátricos, particularmente os depressivos, estão entre os grupos que mais se suicidam. E se levarmos em conta que apenas 1/3 dos deprimidos recebem tratamento adequado, temos aí um contingente de vulneráveis que precisam de um olhar melhor sobre eles.

 

Por fim, vale ressaltar que a tentativa de suicídio ocorre cerca de 10 vezes mais que o suicídio, e é um grito de socorro que não pode ser desqualificado e, por mais bizarro que possa parecer, devemos sempre encaminhar essas pessoas para um profissional ou um serviço especializado. Devemos também aprender a reconhecer e identificar traços e atitudes que possam ajudar a socorrer alguém que esteja com intenções suicidas, por exemplo, visitando o site da ABP.

 

O conhecimento e o entendimento deste tema são fatores fundamentais para atuarmos visando reduzir essa causa prevenível de mortalidade.